Volume de inadimplentes que regularizam dívidas cresce 1,6% em junho, apontam SPC Brasil e CNDL - CDL Campos

Volume de inadimplentes que regularizam dívidas cresce 1,6% em junho, apontam SPC Brasil e CNDL

Embora o resultado seja menor do que o registrado no mês anterior, índice ficou acima do observado em períodos agudos da crise econômica. Entre os que saíram dos cadastros de devedores, maior parte está na faixa de 30 a 49 anos.


26/07/2018 15h45

Com a lenta recuperação da economia, o número de consumidores que conseguiram recuperar o crédito ainda é pequeno. Dados do Indicador de Recuperação de Crédito mensurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em todo o país, mostra um leve crescimento de 1,6% em junho, considerando o acumulado dos últimos em 12 meses. O resultado ficou abaixo do registrado no mês anterior (2,2%), mas ficou acima do observado nos períodos mais agudos da crise, quando houve uma queda da recuperação de crédito.

Ainda que o volume de pessoas que pagaram as dívidas atrasadas tenha aumentado em junho passado, a quantidade de inadimplentes no país segue avançando. E a principal razão para esse cenário são as novas inclusões nos sistemas de proteção ao crédito. Ou seja, se por um lado algumas pessoas vêm quitando suas pendências financeiras, por outro há os que ingressam ou retornam ao cadastro de devedores.

 

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os dados refletem a tímida retomada da economia, que ainda não foi suficiente para reduzir o desemprego. “A recuperação iniciada no último ano não foi suficiente para que o brasileiro observasse a evolução de sua renda ou a queda do desemprego. A situação das famílias ainda é de aperto e, apesar do aumento de consumidores que recuperaram o crédito, o ingresso de novos inadimplentes fez o número de negativados aumentar. Desta forma, a inadimplência só deve recuar na medida em que a oferta de empregos volte a crescer, assim como a renda da população”, ressalta a economista.

Centro-Oeste lidera crescimento de pessoas que quitaram pendências; maior parte dos que recuperaram nome está na faixa de 30 a 49 anos

Entre as regiões que apresentaram maior crescimento das recuperação de crédito, o Centro-Oeste é destaque no mês de junho, com 7,73%. O Sudeste apresentou alta de 0,67% e já no Nordeste houve queda de 0,33%, enquanto Sul e Norte apresentaram recuos ainda mais acentuados de, respectivamente, 7,64% e 9,42%. No entanto, os dados de recuperação das cinco regiões em conjunto mostraram alguma melhora – mesmo naquelas em que houve queda, os recuos foram menores do que em meses anteriores.

Do total de devedores que recuperaram crédito no mês passado, a maior parte (45%) tem entre 30 e 49 anos. Outros 12% estão na faixa de 18 a 29 anos e 13% possuem idade acima de 65 anos. A faixa intermediária, entre 30 e 49 anos, concentra o maior número de inadimplentes. O Indicador de Recuperação de Crédito aponta ainda que 53% dos que recuperaram o crédito são do sexo feminino e 47%, do sexo masculino.

Número de dívidas recuperadas recua 1,12% no acumulado de 12 meses, embora queda seja menos acentuada se comparada com auge da crise

No acumulado de 12 meses, o número de dívidas recuperadas recuou 1,12%. Mesmo com essa queda, o resultado mostra-se melhor do que o registrado em setembro de 2016, quando o indíce chegou a -8,26%. O recuo no acumulado em 12 meses foi ainda mais expressivo nas regiões Sul (-11,75%) e Norte (-8,35%). Já no Sudeste houve alta de 0,11%, e na região Centro Oeste, o crescimento foi de 4,10%. Pela metodologia, uma dívida corresponde a uma relação de atraso entre devedor e credor, independemente do número de pendências que este devedor tenha com o credor.

 

Metodologia

O Indicador de Recuperação de Crédito mostra a evolução da quantidade de devedores que deixaram o cadastro de inadimplentes num dado mês por conta do pagamento das suas pendências em atraso, bem como a quantidade de dívidas. Para isso, são usados os registros de saída de CPFs das bases a que o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) tem acesso. Os dados são de abrangência nacional.


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